"Anna Freud"

por Ana Luiza Saldanha Wolf


Nasceu em Viena, em 1895, filha de Martha e Sigmund Freud. Aos 22 anos iniciou sua análise com o pai, por quem manteve forte apego ao longo da vida. Trabalhou como professora primária e depois como psicanalista de crianças. Seu trabalho mais conhecido foi “O ego e seus mecanismos de defesa” ( 1936), ampliando o papel do ego, demonstrando como ele tenta se proteger das ansiedades superegóica, pulsional e real, colocando em jogo uma série de mecanismos de defesa tais como anulação, formação reativa, deslocamento, introjeção, negação, projeção, racionalização, regressão, repressão e sublimação. Quando o indivíduo recorre a eles de forma flexível, o desenvolvimento é considerado normal. Para ela existe uma diretriz básica do desenvolvimento, existindo um crescimento progressivo do estado de imaturidade, de acordo com diretrizes internas, mas influenciadas e modeladas por condições ambientais. Há sucessivas fases do desenvolvimento libidinal (oral, anal, fálico, genital) e uma tendência à maturação. Entretanto, o psiquismo sofre influencias na direção oposta, como fixações e regressões. Nenhum estádio, durante o percurso, é inteiramente superado. Os pontos de fixação podem ser causados por trauma, excessiva frustração ou gratificação, e retêm a energia impulsiva, enfraquecendo o funcionamento posterior e as relações de objeto. Sustenta que durante desenvolvimento normal as crianças apresentam avanços e recuos, e que é melhor se o caminho do retorno não for bloqueado pela desaprovação do meio ambiente e pelas repressões e restrições internas.

Defendeu a técnica diferente entre análise de crianças e de adultos. Diz que deve se avaliar a estrutura da personalidade da criança, as interações dinâmicas dentro desta estrutura, fatores econômicos relacionados aos impulsos e a intensidade das forças do ego e do id, e sua adaptação à realidade externa. Para ela a decisão para o tratamento não parte da criança e, portanto, a análise infantil requer um período preparatório, em que o paciente se familiariza com o analista, buscando-se criar vinculo entre eles. Deve-se cuidar com interpretações precoces e centradas nos aspectos hostis. Ao conquistar a confiança, a criança fala dos seus devaneios e sonhos e utiliza-se de desenhos e brinquedos como forma de comunicar-se, equiparando-se à associação livre do adulto, e cabe ao analista buscar a função simbólica subjacente às ações da criança na sessão. Diferentemente de Melanie Klein, defende o objetivo educacional, além do analítico no tratamento. Acha que não se estabelece neurose de transferência pois os pais ainda são reais  e presentes como objeto de amor da criança, que segue apresentando sua sintomatologia no âmbito doméstico, o que requer do analista possibilidade de acesso a informações do que ocorre fora do setting analítico. Acredita que o analista deve esforçar-se para se colocar no lugar do Ego-ideal da criança e como novo objeto amoroso adquirir autoridade igual ou superior aos pais, se formando, assim, uma divisão do trabalho analítico e educacional, entre o lar e as sessões, tornando-se possível uma cooperação entre os dois.

Viveu com Dorothy Burlingham em Londres, onde trabalhava. Faleceu em 1982, aos 86 anos.