"Complexo de Castração"

por Rose Eliane Starosta


           A ideia de castração é constitutiva do conjunto de movimentos emocionais que constituem o Complexo de Édipo. É nesse sentindo, então, que foi usada a palavra complexo – de rede, configuração de ideias, representações e emoções.

           Para Freud, o Complexo de Édipo decorre da identificação do menino com seu pai e da menina com sua mãe. Os caminhos que se seguem são, entretanto, diferentes para cada sexo.

          No mundo interno do menino, ele quer ser o pai e se sente, concretamente, o pai, apaixonando-se por sua mãe e desejando-a somente para si. Estrutura-se, assim, uma rivalidade entre o menino e seu pai, gerando sentimentos ambivalentes de amor e ódio pelo pai. Ambivalência que provoca o desejo de que o pai morra, ou de matar o pai, como Édipo, na tragédia grega, matou seu pai. Aparece, assim, o medo à castração. Na fantasia do menino, o pai sabendo do desejo do filho pela mãe e de suas intenções de matá-lo, vai reagir, castrando-o. 

          Encontramos aqui presente também a fantasia reversa. O desejo do menino pelo pai, de ser possuído sexualmente por ele, assim ocupando o lugar da mãe junto dele.

          Na menina, este processo ocorre através da identificação da menina com a mãe e da descoberta que ambas não tem um pênis, sendo, portanto, castradas. Revoltada com sua situação, a menina volta-se para o pai para que este lhe dê o pênis tão desejado. Toma consciência que o pai não pode fazer nascer um pênis nela. Dois sentimentos e ideações surgem, então: a raiva pela mãe que é acusada de ser a castradora e o desejo intenso de ter um filho do pai e assim “recuperar” o desejado pênis. Portanto, o complexo de castração feminino, na psicanálise freudiana, apresenta-se de forma bem diferente que o masculino.  

          Podemos concluir que a configuração edípica conduz a uma rede de sentimentos e significados, em que o complexo de castração torna-se um pilar estruturante no desenvolvimento humano.