"Donald Winnicott"

por Luisa Maria Rizzo


Psicanalista britânico, Donald Winnicott nasceu em Plymouth,  Inglaterra, em 1896 e faleceu aos 75 anos. Iniciou sua carreira profissional como pediatra no  Paddington Green Childreen’s Hospital de Londres, em 1923, época em que, através de uma recomendação de Ernest Jones, começou a se analisar com James Strachey.  A experiência em pediatria aliada à  prática psicanalítica foram determinantes para a  formação do rico legado de conceitos e idéias  que fazem de Winnicott, segundo as palavras de André Green, a mente mais criativa da Psicanálise depois de Freud.  Foi um teórico do desenvolvimento precoce do ser humano, favorecido e estimulado pela vasta experiência  de observação de conduta das crianças e suas mães no seu trabalho como pediatra, aliada ao privilégio de convívio e  troca científica com importantes  psicanalistas  da Sociedade Britânica como Melanie Klein,  Anna Freud, Ernest Jones, Joan Rivière, entre outros. Sua atitude de luta contra o conformismo e a submissão levou-o a se identificar mais com o grupo de psicanalistas que eram denominados como do Middle Group, onde se incluíam Michael Balint, Ronald Fairbairn , Sylvia Payne, Ella Shappe e Marjorie Brierley.

Embora interessado pelas relações de objeto precoces, da mesma forma que Klein, mais tarde surgiram grandes diferenças teóricas entre eles relacionadas ao papel do ambiente no desenvolvimento emocional da criança.  Resumidamente poderíamos dizer que, enquanto para Klein este era um fator importante, para Winnicott foi se transformando no elemento fundamental, a ponto de considerar as falhas ambientais como a etiologia principal dos diferentes distúrbios psicopatológicos. Em 1945 expõe sua teoria sobre o Desenvolvimento Emocional Primitivo e propõe que a maturação emocional se dê em três etapas sucessivas: integração, personalização e o que vai chamar de realização, referindo-se a capacidade de adaptação à realidade.  Procurou apoiar nessa teoria seus pontos de vista sobre o Verdadeiro e Falso Self.

O peso etiológico atribuído ao ambiente por Winnicott deu origem a propostas terapêuticas que buscavam oferecer um entorno emocional favorável para o desenvolvimento  pleno. Daí o conceito de holding, termo cunhado por Winnicott para descrever a capacidade de sustentação emocional da mãe em relação ao seu filho.Sustentava que o enquadramento analítico reunia as condições necessárias  para favorecer a regressão do paciente, o que significava uma segunda oportunidade para o desenvolvimento, através de um retorno à relação diádica.

 Além da contribuição importante sobre o tema da relação mãe/bebê,  podemos acrescentar mais duas grandes vertentes do seu pensamento : a criatividade primária e os fenômenos transicionais.

Chamou de espaço potencial a área intermediária da experiência humana que repousa entre a fantasia e a realidade . Nesta área incluiu o espaço do brincar, a área dos fenômenos transicionais, a cultura, a arte, a criatividade e o espaço psicanalítico. Importante ressaltar uma característica do pensamento de Winnicott que é a presença do paradoxo. Entre outros, são conceitos seus muito atuais no estudo da psicanálise:  o medo do colapso, a capacidade de estar só, o uso do objeto, o ódio na contratransferência e a agressividade primaria. Foi ainda criador da técnica conhecida como Jogo de rabiscos, onde paciente e analista  criam uma forma de comunicação onde o brincar é o elemento facilitador .