"Ego"

por Betina Teruchkin


A medida que Freud se aprofundava na dinâmica psíquica, a teoria topográfica foi sendo insuficiente para o entendimento da mente humana. Em 1923, através da publicação de O Ego e o Id, introduziu a teoria estrutural composta pelas instancias do id (com suas respectivas pulsões), do ego (com o seu conjunto de representações e funções) e do superego (ameaças, punições e castigos). No modelo estrutural o ego foi compreendido como sendo “separado” das pulsões. Para Freud o ego se formava a partir do id, quando confrontado pelo princípio da realidade. O aspecto inconsciente do ego era formado pelos mecanismos de defesa, destinados esses ao combate às demandas pulsionais provenientes do id, destacando-se a agressividade e a sexualidade. Já o aspecto consciente de ego era “representado” pelo órgão executivo da psique, responsável pela integração dos dados perceptuais e pela tomada de decisões.

Posteriormente Melanie Klein descreve a existência de um ego rudimentar (inato), ideia que corresponde a existência do psiquismo já no recém-nascido, o ego do bebê já estaria interagindo com a mãe.

A psicologia do ego compreende o psiquismo em termos de conflitos entre o ego, superego e o id. O conflito entre essas instancias produz ansiedade, assim lançado mão das defesas, que visam o compromisso entre o ego e o id. Os mecanismos de defesa visam a proteção do ego contra as demandas inconscientes do id.

A avaliação de certas funções do ego pode auxiliarnos na compreensão dos nossos pacientes. Como está seu teste de realidade? O controle de impulsos? Sua percepção? É importante a observação de seu funcionamento defensivo predominante, a observação do grau de maturidade-imaturidade desses mecanismos.

Em 1926 Freud ampliou seu entendimento a respeito da ansiedade, sendo compreendida como resultado do conflito psíquico entre os impulsos inconscientes e as ameaças de punição pelo superego. A ansiedade seria “ vivida” como sinal de “perigo”. Em resposta a esse sinal o ego lançaria mão de seus mecanismos de defesa prevenindo pensamentos e sentimentos inaceitáveis presentes na consciência. A ansiedade seria um afeto do ego, órgão esse que controlaria o acesso à consciência via repressão, mantendo assim, separado qualquer associação com impulsos provenientes do id.

Nos dias de hoje os psicanalistas estão muito atentos à maneira predominante que os pacientes utilizam as funções do ego. Como pensa, como percebe, como age, como comunica. Funciona como mediador, integrador e “equilibrador” entre as pulsões do id, as ameaças do superego e as demandas da realidade externa.

O ego pode ser considerado como aparelho psíquico com funções predominantemente conscientes visando adaptar-se com a realidade externa, memoria, percepção, pensamento, atenção, juízo crítico, ação motora, entre outras. Também possui funções principalmente inconscientes, como mecanismos de defesa e produção de angustia. E, por fim, como representações que auxiliam na formação da imagem, identidade e autoestima.

Na psicanalise atual, com a maior procura por tratamentos de pacientes “com as funções do ego menos desenvolvidas” é a tarefa do analista que, quando necessário empreste suas “funções egóicas” até o maior desenvolvimento destas no paciente.