"Enactment "

por Mauro Gus


O conceito de Enactment como recurso da Técnica Psicanalítica Contemporânea surge de maneira sistemática e é incluído como fenômeno da dupla analista-analisando a partir dos anos 80. Atualmente representa importante ferramenta/ instrumento para o trabalho analítico com pacientes que padecem de possibilidades de expressarem na linguagem e/ou na fala seus sofrimentos, utilizando a mente/fala/atos do analista para expressá-los durante a sessão.

As teorizações sobre Campo Analítico como fundamental área de trabalho terapêutico não somente permitem, como se mostram – como o próprio termo diz – o “campo” no qual se formam/se constroem as duas mentes (analista+analisando), gerando uma “terceira” onde se desenvolverão as fantasias inconscientes da história de cada tratamento psicanalítico, ou seja, instalando o clima que permitirá o surgimento dos afetos/emoções vigentes em versão atual e presente, acessando assim as primevas vivências traumáticas ou não originais relações de objeto, primordiais alvos nas mudanças psíquicas que um tratamento psicanalítico pretende alcançar.

Deste modo, o conceito de enactment ou representação em cena durante a sessão analítica vem reproduzir, na atualidade das sessões, os sofrimentos inconscientes ainda indizíveis e, portanto irrepresentáveis, por carecerem de suficiente expressão simbólica, ou seja, pré-simbólicos e anteriores à aquisição da palavra, passando deste modo a terem representação e expressão verbal através do diálogo analista-analisando.