"Fobia"

por Eleonora Abbud Spinelli


O termo fobia deriva do grego “phobos”, que significa medo, terror ou pânico. Podemos entender a fobia como um medo altamente intenso, persistente e irracional em relação a objetos ou a situações externas. Em princípio, esses medos deveriam por si só serem considerados perigosos, mas o sujeito fóbico sente perder o domínio de seu ser diante deles.

O objeto fobígeno eleito o intimida e o ameaça, resultando um mecanismo de defesa chave da fobia, que é a evitação. Constantemente evita enfrentá-los, muitas vezes se antecipa a eles ou os repele; de outra forma, se exporia a uma angústia intensa.

Freud percebeu que o medo e a angústia se alimentam reciprocamente, e que o objeto externo temido é, na verdade, equivocadamente interpretado como o causador da angústia e que, na verdade, essas decorrem de conflitos sexuais e agressivos inconscientes reprimidos. O objeto fóbico esconde a angústia, servindo, dessa forma, para encobri-la.

Freud ainda descreve a vantagem de um sintoma fóbico, na medida em que é melhor defender-se evitando um perigo externo do que sentir a angústia procedente de uma fonte interior pulsional.

Quando conflitos e pensamentos derivados da vida sexual infantil, que são considerados proibidos e que podem levar à punição retaliadora, ameaçam emergir do inconsciente, a ansiedade é ativada. Com isso,  desenvolvem-se os principais mecanismos de defesa da fobia: repressão, deslocamento, projeção e evitação.

Freud, no início de seus estudos em Psicanálise, já se ocupava das fobias, mas foi através de um de seus casos clínicos mais famosos — “O Pequeno Hans” (1909) — que constatou e descreveu o curso e a formação de sintomas na fobia.

Hans era um menino de cinco anos que se recusava a sair às ruas com muito medo de ser mordido por cavalos ou de que os cavalos caíssem sobre ele.

Através dos frequentes relatos do pai de Hans, Freud constatou um conflito entre os desejos do menino e as defesas do seu ego. Desejos eróticos do menino pela mãe e a hostilidade em relação ao pai davam margem a intensos temores de ser castigado, interpretados por Freud como angústia de castração (transformados em sintomas fóbicos). Dessa forma, o cavalo substituía o pai como ameaça, e um perigo proveniente do interior foi trocado por um perigo externo.

Os desejos de morte em relação ao pai e o temor por esses desejos foram reprimidos, já que eram inaceitáveis e inconcebíveis por conta do grande amor que Hans nutria por seu pai.

Esse deslocamento utilizado nas fobias trouxe uma dupla vantagem: Hans podia seguir amando o pai enquanto a angústia se transformava em medo de algo que podia ser evitado no mundo externo (cavalo).

Através desse relato clínico, Freud concluiu que o ponto de fixação das fobias encontra-se na fase fálica e que a fobia é uma tentativa de resolver angústias ligadas à castração e ao complexo edípico, discerniu o lugar do pai e da mãe dentro da criança, os principais mecanismos de defesa, e observou que o fóbico não pode contatar intimamente, mas tampouco pode se afastar do objeto temido, ele necessita manter uma distância calculada, controlando-o com o olhar.

Segal (1977), baseando seus estudos na teoria das posições de Klein, observou que, para remover os sintomas neuróticos da fobia, é de suma importância analisar medos psicóticos anteriores de natureza esquizoparanoide ligadas à ameaça de desintegração do ego das ansiedades depressivas.