"Mecanismos de Defesa"

por Jussara Schestatsky Dal Zot


Sigmund Freud designou por esse termo o conjunto de operações mentais que visavam a proteçao do Eu (Ego), contra as agressões internas (de ordem pulsional) e externas, suscetiveis de constituir fontes ou fatores de desprazer. Assim, têm por finalidade reduzir as tensões psíquicas internas, ou seja, as angústias. Os mecanismos de defesa processam-se pelo ego (eu) e  são quase sempre inconscientes. Freud começou descrevendo no início de sua obra, as defesas mais evidentes na época. A repressão, característica das histerias, também chamada de recalcamento, por exemplo, foi durante muito tempo,  o eixo central de toda e qualquer neurose. Ele reconheceu a existencia de outros mecanismos de defes, mas foi Anna Freud, sua filha, que ampliou consideravelmente a compreensão e descrição de distintos tipos de defesa, em seu clássico livro, “O ego e os mecanismos de defesa”(1936). Ali descreveu nove mecanismos de defesa: regressão, formação reativa, anulação, deslocamento, introjeção, identificação, projeção, voltar-se contra si próprio, e sublimação; além disso compreendeu as implicações para o tratamento que as operações defensivas mais rígidas produziam.   Freud, já no final de seu trabalho,  estudou também defesas mais primitivas utilizadas por psicóticos, sujeitos perversos e outros, nos quais postulou a existência de mecanismos de clivagem (divisão,corte) do ego, assim como destacou o uso defensivo de diversas formas de negação, que na atualidade são estudadas com os nomes de desmentida, forclusão, etc.

Já Melanie Klein, autora posterior a Freud, coerente com suas concepções da existência de um  ego rudimentar, inato – com a finalidade de fazer face às incipientes angústias decorrentes da pulsão de morte – propôs a noção de defesas primitivas e de natureza mágica, como a negação onipotente, dissociação, identificação projetiva e introjetiva, idealização e denegrimento; e defesas mais evoluídas como introjeção e reparação.

Lacan e Bion aprofundaram os estudos das defesas referentes à negação. Lacan cunhou o termo forclusão (grau máximo de negação); Bion sinaliza com – K uma defesa contra o reconhecimento de verdades intoleráveis.

É importante deixar claro que todos os mecanismos defensivos são estruturantes na época de seu surgimento e necessários para o desenvolvimento da pessoa. Mas qualquer um deles, utilizado pelo ego de forma excessiva ou indevida, pode vir a ser desestruturante gerando patologias. Todas as defesas tem em comum a proteção do ego contra exigências instintivas do id (isso). Todos nós temos mecanismos de defesa, e as defesas que utilizamos revelam muito a nosso respeito. Elas são classificadas de acordo com uma hierarquia,desde a mais imatura ou patológica até a mais madura ou saudavel. Exemplos de defesa primitivas seriam cisão, identificação projetiva, negação, regressão, projeção, etc. Defesas mais elaboradas,  seriam identificação, racionalização, intelectualização, etc. E defesas mais maduras, sublimação, altruísmo, antecipação, humor, etc. (Segundo classificação apresentada por Gabbard, 2006).

Bibliografia consultada e sugerida sobre o tema:

Gabbard, G.- Psiquiatria Psicodinâmica na prática clínica. Ed. Artmed, 2016, 5ª edicão, p. 36-45.

Roudinesco, E. e Plon,M.- Dicionário de Psicanálise. Jorge Zahar editor, 1998, p.141.

Zimerman, D.E. – Vocabulário Contemporanêo de Psicanálise. Ed. Artmed, 2001, p.96