"Psicose"

por Tula Bisol Brum


Em 1845 o psiquiatra austríaco Ernest von Feuchtersleben criou o termo psicose para substituir loucura e definir os doentes da alma numa perspectiva psiquiátrica. Em 1894 Freud o retomou para designar um distúrbio entre o eu e o mundo externo com reconstrução inconsciente de uma realidade delirante ou alucinatória na qual o sujeito fica unicamente voltado para si mesmo, narcísico, sem capacidade para perceber a realidade e alteridade (eu e não eu). Psicose é um conceito de ampla abrangência nas doenças mentais. Possui três grandes formas de apresentação: esquizofrenia; psicose maníaca depressiva e paranoia, sendo esta adotada por Freud como modelo para psicose, patologia com determinismo orgânico que produz alterações profundas e irreversíveis no eu.  Os sintomas variam em grau e gravidade. Principais manifestações: perturbação na capacidade para pensar, se comunicar e relacionar, alienação, diminuição ou ausência de juízo crítico, perda da razão e do contato com a realidade a qual é cindida (ruptura) e ou projetada ocasionando séria instabilidade no eu e no senso de identidade. Os delírios e alucinações são defesas para tentar restaurar o vínculo perdido na cisão e projeção. Predomina o princípio do prazer versus princípio da realidade. Diminui a curiosidade e capacidade para aprender, provocando falhas na cognição e formação de símbolos. Os principais afetos projetados, ódio, inveja, impotência e violência, atacam o vínculo com o outro, transformam amor em sadismo. Predominam sentimentos persecutórios e destrutivos que provocam extrema angústia e constante temor de aniquilamento.