"Representação"

por Luisa Maria Rizzo


O conceito de representação em psicanálise nasceu vinculado  ao conceito da filosofia e da psicologia do século XIX, cujo significado estava ligado a uma determinada forma de compreender o psíquico e suas relações com o mundo externo. Freud vai outorgar-lhe significados originais próprios, concebendo as representações como partindo tanto de estímulos externos como internos. A origem das representações,   vai ter relação direta com a percepção e as marcas que esta deixa no aparato psíquico. Consistiriam num investimento do traço mnêmico, pelo objeto, que reinveste e reaviva este. Desta forma a representação é o trabalho que o psiquismo faz a partir, inicialmente do que vive como prazer ou desprazer. Dando representação às suas vivências, este vai se constituindo e construindo   sua subjetividade .

Freud utilizou este conceito para explicar a forma como o inconsciente poderia ser pensado, ou a forma como qualquer percepção se tornaria algo psíquico. O caminho implica em uma  pulsão que parte do corpo como uma energia que alcança o psiquismo, como por exemplo: a fome que busca uma experiência de satisfação que será realizada ou não com a interferência do objeto e que deixará uma marca, posteriormente se tornando um desejo que terá uma representação.

Ele distinguiu dois níveis de representação: as representações de palavra e as representações de coisa. Esta distinção sublinha uma diferença a que Freud confere um valor tópico fundamental:

 As representações de coisa ( produzidas pelos registros de todos os sentidos, porém  predominantemente visuais) pertencem ao inconsciente e as representações de palavra (derivadas predominantemente de estímulos acústicos cuja maioria são os significados das representações de coisa) pertencem ao pré-consciente e consciente.

As repetições da experiência com o objeto reforçarão as fixações das marcas no inconsciente, deixando recalcadas as representações de coisa. Quando estas, junto com o afeto, forem vinculadas à representações de palavra correspondentes, teremos o que Freud denomina de representações de objeto, que não são passíveis ainda de serem nomeadas e ficam no pré-consciente.

Quando a imagem mnêmica se liga a uma imagem verbal adquire o índice de qualidade específico da consciência. A representação consciente engloba a representação de coisa mais a representação de palavra correspondente, enquanto a representação inconsciente é apenas representação de coisa.

A psicanálise se dedicou a buscar a relação perdida entre as representações de coisa da sexualidade infantil e as representações de palavra pertencentes à consciência.   Atualmente tem sido objeto de estudo também as formas de registro de vivências que não estariam dentro do espectro representacional, aquelas que não obtiveram o investimento suficiente do objeto e não adquiram o status de representação. Estes registros fazem parte do irrepresentável e terão outros destinos que não o do movimento progressivo.