"Sigmund Freud "

por Roberto Gomes


Freud nasceu na pequena cidade de Freiberg, Moravia. Situada a 240km de Viena, tinha aproximadamente 5000 habitantes dos quais 95% eram tchecos e 2% eram judeus que falavam iídiche e alemão.

Seu pai, Jacob Freud, era de uma família judia de comerciantes de lã e havia casado pela terceira vez, aos 40 anos, com Amalia Nathansohn, de 20 anos, uma mulher bonita, elegante e de espírito vivo, filha de um representante comercial radicado em Viena. Eles tiveram oito filhos num período de dez anos, três meninos e cinco meninas. Em 1860 a família de Freud mudou-se para um subúrbio pobre de Viena chamado Leopoldstadt.

Freud era o mais velho e o mais amado pela mãe que o chamava de  ‘meu Sigi de ouro‘. Foi o primeiro a renegar a profissão de comerciante para cursar medicina, aos 17 anos,  com apoio financeiro de seu professor de hebraico Samuel Hammerschlag.

Após a graduação na Universidade de Viena, Freud trabalhou em pesquisas do cérebro no Instituto de Fisiologia do professor Ernst Brücke. Entretanto, pressionado pela situação financeira e pelo desejo de casar com sua noiva Martha Bernays, tornou-se assistente do professor Josef Breuer.  Assim, começou sua atividade profissional como um neurologista dedicado a trazer alívio para seus pacientes neuróticos.

Dessa fase, até tornar-se uma das 100 personalidades mais influentes do século XX  e ter sua obra consagrada - a ponto de dois livros seus  A Interpretação dos SonhosTrês Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade  serem incluídos nas listas dos 100 livros mais importantes da história, Freud descobriu fatos novos e importantes sobre a vida psíquica.

Em 1938, aos 82 anos, Freud refere-se à psicanálise como uma ciência da mente para o tratamento dos pacientes neuróticos e cita como suas principais descobertas o inconsciente e as forças instintivas humanas em permanente conflito. Ele afirma que a resistência às suas idéias foi forte e implacável: "As pessoas achavam minhas teorias indecentes ou não acreditavam nelas. Apesar disso, Freud recebeu várias indicações ao Nobel de Medicina.

Ao final, Freud reconhece que teve sucesso em conquistar pupilos e criar uma associação internacional de psicanálise. E conclui: "Mas a luta ainda não acabou”.

Essa síntese de Freud coincide com sua saída de Viena em direção a Londres para viver seus últimos anos em liberdade. A Nação Germânica havia se tornado tão sufocante que o espirito da liberdade não seria capaz de respirar nela.

Suas palavras permanecem de uma atualidade medonha. A psicanálise cruzou o portal do segundo milênio enfrentando fortes críticas e sobreviveu a um século com mais de 100.000.000 de mortos em guerras e revoluções que, como consequência, produziram um grande avanço da ciência na área de produção de medicamentos para o alívio da dor física e psíquica. Contudo, a psicanálise manteve-se na contramão da história ao se reafirmar como um tratamento sem anestesia. Em Viena dizia-se que “se Strauss ensinava os vienenses a esquecer, Freud os forçou a lembrar.

Se essa perseverança da psicanálise põe em relevo a forma mais humana e insuperável de tratar o sofrimento do ser humano, isso decorre do desenvolvimento e novas descobertas dos seguidores de Freud, permanecendo no entanto como pedra fundamental a vasta obra de seu fundador e o nobre exemplo de seu caráter. Freud sempre teve a coragem e as qualidades necessárias para defender suas posições pessoais, mesmo nas adversidades, e para viver de forma verdadeiramente livre.