"Transferência"

por Jacó Zaslavsky


O conceito de transferência foi descrito, inicialmente, por Freud em 1895, porém foi através do caso Dora (1905) que sua clássica definição consolidou-se ao escrever: "Que são transferências? São as novas edições ou fac-símiles dos impulsos e fantasias que são criadas e se tornam conscientes durante o andamento da análise [...] substituem uma figura anterior pela figura do médico [...]. É renovada toda uma série de experiências psicológicas, não como pertencentes ao passado, mas aplicadas à pessoa do médico no momento presente" (Freud, 1905). Posteriormente, Klein (1953) ampliou o conceito de Freud ao salientar que “a transferência origina-se dos mesmos processos que, nos estágios mais primitivos, determinam as relações de objeto. Dessa forma repete-se na análise, flutuações entre objetos amados e odiados, externos e internos, que dominam o início da infância”. Mais adiante, outros autores do pensamento Kleiniano (Bion, 1962; Rosenfeld, 1987) ampliaram e expandiram nossa compreensão sobre a natureza da transferência adotando integralmente o conceito de “situações totais” transferidas, como Melanie Klein escreveu: “...é essencial que pense em situações totais transferidas do passado para o presente, bem como em termos de emoções, de defesas e de relações objetais”. Esta noção levou a uma focalização para o que está ocorrendo dentro da relação analítica, dito de outra forma, na relação entre o paciente e o analista, o que, em muitas circunstâncias não é expresso em palavras e frequentemente pode ser apreendido pelos sentimentos do analista também chamado de contratransferência. As manifestações transferenciais podem ser diretas ou indiretas (através da cadeia associativa do paciente) e poderão ser identificáveis durante ou após a sessão sendo o mais importante perceber e entender a transferência. Através deste entendimento o analista poderá construir junto com o paciente os significados dos conflitos internos, das emoções, escolhas, impedimentos e outras demandas.