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Tempos caóticos, um motor para a criatividade

O Caos pode estimular a criatividade provocando a mente a pensar de forma flexível e a improvisar, buscando soluções para os momentos turbulentos
Na contemporaneidade, a humanidade parece se encontrar mergulhada em situações que escapam à compreensão e ao controle: crises sociais, políticas e econômicas, as quais colocam em xeque valores culturais até então solidamente arraigados. Estaríamos vivendo tempos caóticos?
A origem do Caos, tanto no sentido mitológico como no científico, remonta à palavra grega Khaos, que significa “vazio’ ou “abismo”. Na mitologia grega, Khaos é a entidade primordial que representa o estado inicial do Universo, um espaço vazio e escuro de onde surgiriam as primeiras divindades e a própria realidade.
Em lugar da “bagunça” popularmente associada à palavra Caos, ela significa abertura, vazio ou fenda imensa. Dito isto, é possível pensar que um espaço vazio e sem limites pode ser gradativamente delimitado pela natural criatividade humana, que vem para simbolizar, reconstruir e, consequentemente, organizar aquilo que está largamente desorganizado e que, portanto, é incompreendido.
O Caos é o começo da criação; ele pode estimular a criatividade ao provocar a mente a pensar de forma flexível e a improvisar, buscando soluções para a saída de momentos turbulentos que provocam desconforto. Tanto a imersão no Caos, representado pelas crises que, de tempos em tempos, assolam a humanidade, como as saídas criativas para elas são características humanas que estão a serviço da sustentação da vida, a partir de um turbilhão de vivências que nos retiram de nossas verdades, obrigando-nos a encontrar novas soluções para elas.
Para a edição do segundo semestre do ano de 2025, a equipe editorial do Jornal da SPPA resolveu pensar e desenvolver esse tema que nos parece tão atual, contando com a ajuda de colegas de nossa Sociedade e ainda de colaboradores de fora dela. A matéria central é o resultado desse trabalho. Ela foi construída a partir de entrevistas com dois experientes colegas de nossa Sociedade, os psicanalistas Flavio de Oliveira e Souza e Ivan Fetter. Para completar nosso trio de entrevistados, contamos com a colaboração da artista plástica Clara Pechansky, uma mulher com larga experiência de vida, com muitos anos dedicados à sua arte.
Convidamos você, leitor, a conferir o resultado do trabalho, bem como a se debruçar sobre os excelentes artigos relativos ao tema, escritos pelos colegas da SPPA Cátia Olivier Mello, Denise Bistronsky e Juarez Guedes Cruz. Além disso, informações sobre as nossas diretorias e sobre as atividades realizadas ao longo do semestre, bem como o anúncio de outras que estão por vir, também podem ser encontradas na presente edição.
Uma boa leitura a todos!