Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

ANO 24 • • Nº 46

ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PSICANALÍTICA DE PORTO ALEGRE

Porto Alegre | RS

Autora

Cátia Deon DallAgno

Editora do Jornal

Conselho Editorial

Kátia Ramil Magalhães

Diretora de Publicações

Laura Meyer da Silva

Comissão Editorial

Leonita Beatriz Tramontina Serena

Comissão Editorial

Carla Brunstein

Comissão Editorial

Ana Paula Mezacaza Filippon

Comissão Editorial

Tempos caóticos, um motor para a criatividade

  • O Caos pode estimular a criatividade provocando a mente a pensar de forma flexível e a improvisar, buscando soluções para os momentos turbulentos

Na contemporaneidade, a humanidade parece se encontrar mergulhada em situações que escapam à compreensão e ao controle: crises sociais, políticas e econômicas, as quais colocam em xeque valores culturais até então solidamente arraigados. Estaríamos vivendo tempos caóticos?

A origem do Caos, tanto no sentido mitológico como no científico, remonta à palavra grega Khaos, que significa “vazio’ ou “abismo”. Na mitologia grega, Khaos é a entidade primordial que representa o estado inicial do Universo, um espaço vazio e escuro de onde surgiriam as primeiras divindades e a própria realidade.

Em lugar da “bagunça” popularmente associada à palavra Caos, ela significa abertura, vazio ou fenda imensa. Dito isto, é possível pensar que um espaço vazio e sem limites pode ser gradativamente delimitado pela natural criatividade humana, que vem para simbolizar, reconstruir e, consequentemente, organizar aquilo que está largamente desorganizado e que, portanto, é incompreendido.

O Caos é o começo da criação; ele pode estimular a criatividade ao provocar a mente a pensar de forma flexível e a improvisar, buscando soluções para a saída de momentos turbulentos que provocam desconforto. Tanto a imersão no Caos, representado pelas crises que, de tempos em tempos, assolam a humanidade, como as saídas criativas para elas são características humanas que estão a serviço da sustentação da vida, a partir de um turbilhão de vivências que nos retiram de nossas verdades, obrigando-nos a encontrar novas soluções para elas.

Para a edição do segundo semestre do ano de 2025, a equipe editorial do Jornal da SPPA resolveu pensar e desenvolver esse tema que nos parece tão atual, contando com a ajuda de colegas de nossa Sociedade e ainda de colaboradores de fora dela. A matéria central é o resultado desse trabalho. Ela foi construída a partir de entrevistas com dois experientes colegas de nossa Sociedade, os psicanalistas Flavio de Oliveira e Souza e Ivan Fetter. Para completar nosso trio de entrevistados, contamos com a colaboração da artista plástica Clara Pechansky, uma mulher com larga experiência de vida, com muitos anos dedicados à sua arte.

Convidamos você, leitor, a conferir o resultado do trabalho, bem como a se debruçar sobre os excelentes artigos relativos ao tema, escritos pelos colegas da SPPA Cátia Olivier Mello, Denise Bistronsky e Juarez Guedes Cruz. Além disso, informações sobre as nossas diretorias e sobre as atividades realizadas ao longo do semestre, bem como o anúncio de outras que estão por vir, também podem ser encontradas na presente edição.

Uma boa leitura a todos!