Autora
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A virtualidade e os novos ritmos da vida

Imbricando-se em muitas áreas da existência humana, a virtualidade tem trazido novos ritmos para o viver.
Com seus avanços tecnológicos e a criação de tecnologias virtuais, a era digital iniciou a partir da segunda metade do século XX. A internet, a princípio utilizada exclusivamente por pesquisadores e instituições acadêmicas, logo passou a ser acessível ao público em geral, popularizando-se a partir da década de 1990.
Sabemos que, para que a constituição psíquica do bebê ocorra a contento, a colocação em jogo de uma ritmicidade conjunta é uma experiência na qual a mãe pode reconhecer o ritmo do bebê e entrar em consonância com ele, respeitando os tempos que a criança necessita para integrar sua experiência a fim de organizar sua polissensorialidade e acalmar sua angústia. O respeito aos tempos e espaços de que o bebê necessita para se integrar é, portanto, condição sine qua non para o estabelecimento da saúde mental, evitando assim invasões, excessos ou falta de investimento.
A princípio, essa experiência deve ser levada para toda a vida, balizando aquilo que é permitido ao sujeito viver, respeitando seu ritmo interno já consolidado. Na atualidade, a virtualidade parece ter se imbricado em muitas áreas da existência humana; as fronteiras entre o físico e o digital se tornaram tênues, e muitas vezes a vida on-line deixou de ser um espaço paralelo para se consolidar como uma extensão e até mesmo uma fusão da vida real. Esse fenômeno impôs novos ritmos e urgências que estão transformando profundamente a maneira de nos relacionarmos com o mundo, com o outro e, sobretudo, conosco mesmos.
A Comissão Editorial do Jornal, preocupada e instigada com essa nova condição que perpassa o humano, escolheu como tema para a primeira edição de 2025 "a virtualidade e os novos ritmos da vida". Para compor a matéria central convidamos dois psicanalistas de nossa instituição, Paulo Berél Sukiennik e Lúcia Thaler, e o educador André Pares para refletirem sobre tema tão importante.
Durante o primeiro semestre de 2025, a SPPA realizou também uma série de atividades voltadas para a questão da virtualidade. Além do Simpósio da Infância e Adolescência, que versou sobre o tema, através de palestras e supervisões com nosso convidado, dr. Serge Tisseron, Ruggero Levy, psicanalista da SPPA, teceu considerações importantes ao falar sobre Adolescência a partir da série homônima, que tanto repercutiu em nosso meio. Ruggero nos brindou com um valioso artigo a partir das ideias apresentadas na série. Candice Campos e Cristiano Frank também escreveram interessantes artigos sobre o tema da virtualidade, os quais podem ser conferidos nessa edição.
Além das matérias voltadas para o tema central, trazemos notícias de nossas várias diretorias e comitês, a fim de que o leitor possa ficar informado sobre as atividades realizadas durante o primeiro semestre, bem como algumas daquelas que estão por vir.
Uma boa leitura a todos.