Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

ANO 24 • • Nº 45

ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PSICANALÍTICA DE PORTO ALEGRE

Porto Alegre | RS

Publicação aborda temas inquietantes em 2025

  • Trauma e sobrevivência psíquica, o traumático na contemporaneidade e o futuro de uma (des)ilusão são temas muito atuais abordados pela Revista da SPPA neste ano de 2025.

Ao propor os temas dos números de 2025, a Comissão Editorial da Revista de Psicanálise da SPPA busca ampliar a discussão sobre questões inquietantes e atuais. Trauma e sobrevivência psíquica, O Futuro de uma (des)ilusão e um número especial dedicado à Jornada Científica da SPPA/2025 – Os destinos do traumático na contemporaneidade – são edições que dialogam com os desafios da Psicanálise atual.

Tanto a clínica com pacientes profundamente traumatizados quanto o contexto contemporâneo, marcado por excessos e escassa continência, exigem atenção. Trata-se de um trabalho delicado e desafiador: tentar restabelecer o desenvolvimento psíquico necessário à transformação de experiências brutas e indigestas em memórias assimiláveis, permitindo que essas vivências possam ser integradas ao senso de identidade do sujeito.

Diante das dificuldades psíquicas impostas pelos impasses da civilização — especialmente intensificadas na era pós-moderna —, a releitura do texto freudiano O futuro de uma ilusão nos inspirou a revisitar os questionamentos formulados por Freud e pelos autores que o sucederam. Nos tempos atuais, observa-se uma crescente tendência ao "não lugar": uma ausência de presença, de reflexão e de pensamento crítico.

Esse cenário torna-se ainda mais grave com o aumento de manifestações do que (se pode) compreender como formas de narcisismo destrutivo — expressas em atitudes racistas, homofóbicas e xenofóbicas —, as quais evidenciam a crescente dificuldade de lidar com a alteridade e com os limites impostos pela convivência com o outro.

“Em um mundo que resiste às renúncias e favorece contextos nos quais a violência se impõe, perguntamo-nos se ainda somos capazes de transformar a destrutividade em criação simbólica. Seremos ainda capazes de sustentar a esperança, reconhecer os limites, acolher o outro e manter vivo o desejo por um futuro possível?”, pondera Ana Cristina Pandolfo, editora chefe da Revista de Psicanálise da SPPA.

As excelentes repercussões da recente Jornada Científica da SPPA/2025 – Os destinos do traumático na contemporaneidade – continuam a despertar interesse pelos trabalhos apresentados e debatidos durante o evento. Propõe-se assim esse número especial, dedicado à publicação e ao aprofundamento dos temas que compuseram as diversas mesas: os excessos do contemporâneo; o traumático no arcaico, na infância e na adolescência; os destinos do traumático no corpo, nas adições, nos atos, na depressão e na criatividade; o trauma associado à vulnerabilidade social, à clínica, à transgeracionalidade e às possibilidades de transformação do traumático.

Propomos um ano editorial pautado por reflexões necessárias, que articulam profundidade, densidade e atualidade.

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