Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

ANO 23 • • Nº 44

ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PSICANALÍTICA DE PORTO ALEGRE

Porto Alegre | RS

Quando e como indicar um atendimento psicanalítico de casal?

  • O objetivo do analista de família é compreender, mais do que encontrar causas e muito menos culpados pela crise existente | Foto: Clara Pechansky - Cena Doméstica - Acrílica e nanquim, 25x35cm, XI/2023

O tratamento de casal é indicado quando a comunicação entre eles está prejudicada e a ocorrência de brigas e mal-entendidos é constante. Essa abordagem facilita a comunicação e mobiliza transformações possíveis na interação da dupla. O atendimento funciona como um facilitador da interação entre o casal, que aprende a escutar o outro e estimula mudanças nas percepções recíprocas.

É comum que os casais busquem ajuda em situações de crises vitais ou acidentais, como nascimento dos filhos, perda de emprego, infidelidade, problemas sexuais, síndrome do ninho vazio, aposentadoria, lutos. Faz-se imprescindível avaliar não apenas o desejo manifesto por essa modalidade, mas os aspectos inconscientes de tal escolha. É possível, por exemplo, a existência de fantasias mágicas de resolução dos conflitos que não necessariamente serão atingidas por meio desse processo de tratamento. O reconhecimento das condições de personalidade ou funcionamentos prévios à crise atual precisam também ser levados em conta.

Na sala de análise, com o casal frente a frente, no aqui e agora, surgem comportamentos e emoções conflituosas, as quais serão vivenciadas na presença e junto com o analista. Isto permite criar um espaço comum em que as queixas, reprovações e ameaças possam ser verbalizadas, escutadas e pensadas. Este cenário potencializa o impacto das intervenções, facilitando “ajustes” na comunicação, a contextualização dos conflitos e a ampliação da possibilidade de uma reflexão com a presença acolhedora do analista.

O objetivo do analista é compreender, mais do que encontrar causas e muito menos culpados pela crise existente. São questionadas as crenças, hábitos e modos de funcionamento, muitas vezes inabaláveis, buscando desenvolver atitudes reflexivas, sem julgamento. Nessa modalidade de tratamento, o casal tem uma oportunidade de desenvolvimento emocional e de se instrumentalizar para lidar com conflitos que fazem parte da vida e que poderão eventualmente se repetir.

Lisandra Guillen, Carmem Keidann, Lúcia Thaler, Cintia Albuquerque (SBPsb), Miriam Fontoura Barros e Mery Pomerancblum Wolff